6 de novembro de 2008

Itaú e Unibanco: atenção aos consumidores

Ao consumidor: época de cautela.

São 73,6 milhões de clientes do novo grande banco que nasce com a fusão do Itaú e Unibanco. Segundo dados, as tarifas pagas pelos clientes do Unibanco são via de regra mais altas, chegando a 238% em alguns serviços. Essa situação perdurará pelo menos pelos próximos 6 meses até que seja definida a maneira da integração operacional que resultara no maior banco do país e da América latina.
Justificar Nesse tipo de operação o padrão tem sido aplicar as normas do banco de maior porte ao banco de menor porte, ou seja, os clientes do Unibanco se beneficiariam com as tarifas menores do Itaú. De qualquer forma, a fusão depende da aprovação do BC e de outros órgãos, como o CADE por exemplo e as novas regras tarifárias do BC que entraram em vigor em abril, não permitem aumentos tarifários em período menor que 6 meses.

O fato é que quando o assunto é banco e concentração, o consumidor sempre sai perdendo seja pela diminuição da concorrência inerente a esses processos, seja pela tendência dos bancos em não reduzir tarifas. Os clientes do Itaú e Unibanco deverão ficar atentos à política tarifária que será adotada após a fusão. Como os dois bancos já fizeram reajustes tarifários recentemente, os clientes não deverão aceitar reajuste nos próximos seis meses, de acordo com as novas normas do BACEN. Ainda, vale lembrar que qualquer alteração nas tarifas deverão ser comunicadas ao cliente com antecedência mínima de 180 dias.

Além da política tarifária, o consumidor deve ainda prestar atenção aos serviços prestados que não deverão ser diminuídos ou restringidos. Todos os contratos deverão ser mantidos com a fusão em sua integralidade, uma vez que não se permite a alteração unilateral dos contratos pelo Código de Defesa do Consumidor. Os postos de atendimento deverão continuar os mesmos, com o mesmo número de caixas disponibilizados para atendimento.

A despeito da opinião dos Procons e dos demais órgãos de ajuda ao consumidor como o Idec, eu sou cética quanto a diminuição de tarifas, que são a maior fonte de captação de dinheiro pelos bancos. Muitos não sabem, mas o que um banco fatura com tarifa é suficiente para pagar todo o pessoal empregado e ainda sobrar um lucro de 60% a 80%.

Não creio que o MEGA banco que nascerá da fusão será sensível aos consumidores. Bancos nunca foram. Megabancos também não serão. A exemplo temos as contas inativas: ambos os bancos sempre foram inflexíveis na cobrança de tarifas, prática considerada abusiva pelo CDC, obrigando impiedosamente o consumidor a pagar por serviço que não utiliza. Certamente essa conduta continuará. Além disso, a política dos bancos sempre foi pela não diminuição de tarifas. Mais fácil será o banco Itaú aplicar aos seus clientes as tarifas mais altas do Unibanco. Só o tempo dirá se estou sendo pessimista demais.

Então consumidor: OLHO ABERTO e extrato na mão. Lembre-se: um realzinho a menos em sua conta pode não parecer nada, mas se você multiplicar isso por
73,6 milhões de clientes, chegará a uma soma "considerável".