1 de janeiro de 2009

2009: Parem o mundo que eu quero descer!


Segura que vai ser longo... O assunto merece!


Visitei vários blogs que costumo acompanhar para ler as famosas postagens de final de ano. Para minha surpresa, vi que a maioria deles recebe com muito pessimismo 2009, e com toda razão: crise mundial, guerras já instaladas e outras que certamente virão, violência, bla bla bla. O ano de 2008 foi um ano de M****. Já vai tarde.

Claro que tempo é um conceito relativo, mas não podemos negar que a virada de ano é um marco para o homem, que vive sua vida em função do calendário, fracionando de maneira "racional" um simples conceito que é o tempo. A virada de ano é uma época de reflexões, balanços, promessas e esperança.

Começo esse ano com uma reflexão/artigo sobre a raiz de todo o problema da sociedade moderna: a deterioração da família.

Introdução.

Lá vem ela com o papo de família e religião. Não espere por isso, amigo leitor! Na verdade, anos de estudo de teologia, filosofia e principalmente HISTÓRIA fizeram com que a figura de "deus" se tornasse explicável demais para ser adorada.

Também não sou avessa a religiões. Não se pode negar que a religião foi a primeira forma de se impor leis e regras de convívio à uma sociedade que vivia em caos. Foi a primeira forma que a sociedade encontrou de transmitir conceitos morais necessários para que a vida em sociedade pudesse ser mantida. A religião é importante e continua sendo, considerando que nem todo o indivíduo pode/consegue receber/transmitir conceitos morais fundamentais sem uma figura invisível ou um ser onipotente/onipresente ou promessa de uma vida eterna em um paraíso qualquer.

Voltando ao cerne da questão, eu recebo cerca de 20-30 consultas pelo formulário diariamente. Não é exagero algum dizer que 80% das perguntas são referentes a... pensão alimentícia. Não são perguntas sobre visitação, sobre direitos dos pais de influenciarem na educação dos filhos ou qualquer outra questão sobre o pátrio poder/dever de educar e criar os filhos.

Não vivo no mundo da lua, leitor. Sei bem que educação não cola em estômago vazio e que este é necessário. Mas e o resto que é tão importante quanto?

O Estado co-responsável

O homem optou por viver em sociedade não porque é bonito, mas sim porque era/é essencial para sua s o b r e v i v ê n c i a. Alguém ai já parou para pensar na fragilidade da raça humana? "Ora doutora, construimos aviões e prédios". Sim querido leitor, mas solte um homem no meio de um ambiente virgem e verás como ele se sairá. Não temos pelos, casco, garras ou mandíbulas poderosas, nossa cria demora mais de 1 ano para se locomover sozinha e cerca de 2 anos para comer por si própria. A vida em sociedade é pois uma necessidade e não uma opção.

A primeira célula dessa sociedade é a família. Não precisa ser um gênio para concluir que se a célula originária não vai bem, todo o resto desanda e portanto concluir que se a sociedade está na M**** que está é porque algo não vai bem com a família.

A família moderna chegou a tal ponto que os namorados vivem como noivos, os noivos como casados e os casados como se nunca tivessem se conhecido. O encargo educacional passou a ser da escola, que hoje são as responsáveis pela educação dos "filhos de pensão". Enquanto os pais brigam por "dinheiro" para que os filhos tenham uma boa escola acreditando que isso consequentemente lhes dará uma boa "educação", os princípios basilares da família/sociedade são simplesmente relegados para segundo plano, perdendo terreno para a briga pela conta bancária.

As feministas que me perdoem, mas tal quadro começou a se formar no final dos anos 70 quando as mulheres decidiram rejeitar o papel de dona-de-casa e se incorporar maciçamente ao mercado de trabalho, transformando-se em "chefes de família". Não venho questionar aqui a relevância ou não dessa mudança de mentalidade feminina: eu mesma sou produto dessa mudança de mentalidade e a defendo. O que questiono são os efeitos ou os resultados dessa mudança.

A mulher lutou por igualdade de direitos mas apenas conseguiu igualdade de deveres. O encargo da educação dos filhos continuou sendo dela, assim como os encargos domésticos. Poucas são as mulheres qualificadas que ganham salários suficientes para contratar uma empregada doméstica e uma babá para que a substitua frente os encargos maternos. Em resumo: ela triplicou a sua jornada, perdeu o papel de mãe e ganhou um fardo impossível de ser carregado. A família se desfacelou e com ela uma sociedade inteira está se desintegrando.

O trabalho é o elo entre a sociedade e a família. É um aspecto importante para a inserção da mulher na sociedade, indivíduo que até então se postava à parte, como uma dependente do conjuge varão (a exemplo do que ocorria com o recém-sepultado Código de 1916). Mas é necessário que haja uma urgente mudança na mentalidade política, quando o assunto é inserção da mulher no mercado de trabalho.

Como bem asseverou Cannoy, “(...) o novo sistema de trabalho obriga a investir em conhecimentos ainda mais do que antes, e as famílias são instrumentos decisivos para adquiri-los, tanto para adultos quanto para crianças. Assim, o novo sistema de trabalho desestabiliza a família clássica dedicada aos filhos, degradando uma instituição que é crucial para o desenvolvimento econômico".

Mudanças na legislação do trabalho são essenciais. Uma política séria de apoio às famílias chefiadas por mulheres é também essencial. A redução da jornada de trabalho, a oferta de creches e outros serviços para cuidar dos membros dependentes da família como medidas para auxiliar na coesão social são aspectos que têm que estar inseridos dentro da formulação de políticas que visem compatibilizar o trabalho com o desenvolvimento da família.

Desenvolvimento econômico somente é sustentável com o desenvolvimento da célula basilar da sociedade: a família. Estado que não cuida da família é tão responsável quanto o pai que deixa a educação do filho à cargo da escola ou do terceiro contratado.


Da responsabilidade individual dos pais.

O fato do Estado ser co-responsável nesse quadro caótico que vemos hoje não exime os pais/mães "de pensão" que simplesmente deixam para terceiro plano os seus deveres de educar, cuidar e orientar os filhos.

Como já citei, das perguntas sobre pensão que recebo diariamente quase nenhuma diz respeito à visitação ou responsabilidade pela educação. Não é exagero mas sim fato. Os pais e mães estão tão preocupados com a maldita pensão que sequer param para pensar no que importa tanto quanto o dinheiro.

As mães de pensão geralmente trabalham e estão cansadas/culpadas demais para educar e conviver com os próprios filhos. Os pais de pensão estão preocupados demais ganhando o dinheiro da obrigação alimentar ou brigando por ele que se esquecem que os filhos deixados para trás continuam sendo sua responsabilidade, não apenas financeira.

É necessário que os pais e mães de pensão encarem com seriedade o papel que a nova realidade social lhe impõem e chamem para si a responsabilidade pelos próprios filhos. Alimentar é fácil. Criar e educar, transformando os filhos em cidadãos conscientes é bem mais complicado e não há pensão que consiga fazer isso sozinha.

CONCLUSÃO

Num ambiente de competitividade, a deterioração do núcleo familiar e a ausência de mecanismos para apoiar o trabalho feminino aferatam de forma absurda a coesão social, pois reduziram e ainda reduzem as possibilidades de gerar uma mão-de-obra qualificada e apta a atender aos requerimentos da produção.

É necessário "queimar soutiens" não pela igualdade de tratamento, mas sim por uma política específica de inserção da mulher no mercado de trabalho integrada com a questão familiar. Mulheres e homens nunca foram e nunca serão iguais e portanto devem ser tratados sim diferentemente. Tratar os iguais como iguais e os diferentes como diferentes. Este é o princípio da isonomia: reconhecer que homens e mulheres têm papéis diferentes frente à unidade familiar e portanto merecem tramento diferente da legislação.

A co-responsabilidade do Estado na formação desse quadro de desestruturação da família não exime os pais e mães de "pensão" de sua culpa. É necessário que se conscientizem do seu novo papel nessa nova família.

Assim, antes de pensar em um 2009 melhor e em um SÉCULO MELHOR olhe para o seu lado e encare bem o seu filho. O que você fez por ele hoje? O que você realmente ensinou a ele hoje? Melhor dizendo, qual exemplo você foi hoje? Analisando tudo o que você ensinou e foi para ele, qual o cidadão que você deixará para a sociedade?

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